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domingo, 27 de junho de 2010

Já é tarde


Durma que já é tarde
Descansa teu corpo cansado
No leito sereno
Repousa tua alma marcada
Nos braços sedentos do silêncio, calado
Esquece o ermo que lhe marca a chegada
Apaga a memória de anseios, fracassos.
Prepara-te, aguarda de belo traje
Que a morte já é cantada
Vamos, meu amigo, não se acovarde.
Durma agora,
Durma que já é tarde

Bianca Monsores

quinta-feira, 11 de março de 2010

O louco


Já era tarde da noite quando Otávio decidiu que queria viver mais, viver por si mesmo.
Pulou da cama e, sentado próximo a janela, observava o céu. Conforme a noite era trocada pelo dia, ele percebia alguns pássaros que começavam a sair de seus ninhos em busca da conquista por novos horizontes. Foi alí que ele teve certeza: queria ser como aqueles graciosos animais. Mas como isso seria possível?

Um dia, olhando uma pequena menina que carregava balões, Otávio teve a grande ideia. Seus balões seriam os pássaros, que o levariam a descobrir novas aventuras além daquele lugar onde o habitual já se tornava confortável a todos.

No quintal de sua casa, espalhou pequenos grãos de milho e esperou pelos pássaros junto a longos fios de barbante. Quando eles chegaram, amarrou nas patas dos animais os fios e logo em seguida, amarrou-os em seu próprio braço. As aves levarantaram voo e o homem subiu pelos ares preso pelos punhos. As pessoas ao redor não podiam acreditar no que viam e chamavam-no de louco, até que um dos seus vizinhos gritou:
- O que pretende com isso?!
E Otávio respondeu das alturas:
- Liberdade!
E lá se foi ele, deixando para trás as grades do comodismo,aquelas que não nos permitem ver além do que nos é previsível.

Bianca Monsores

terça-feira, 19 de janeiro de 2010



Há uma voz que grita por desejos mais insanos. São olhos que projetam luzes formando miragens entrelaçadas a contextos dos mais improváveis. É a falta mesmo que presente, onde o mais próximo ainda não é suficiente, onde o leito é tranquilo, aconhegante, porém imprevisível. E é tanto amor, que não cabe dentro de mim.

Bianca Monsores

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Preconceito



O preconceito precariza. Transforma a mente humana em uma cela de finos horizontes. Ele torna obsoleta a capacitade de visão, de distinguir. Não se é mais notável algo que poderia se tornar diferente, novo e surpreendentemente prazeroso; as coisas são impedidas de acontecer. Quanto o preconceito limita? ilimitável. Destrói ótimos momentos, manipula emoçoes e confunde verdades que jamais ousaram se quer existir. O preconceito é a morte do mais significativo bem: a capacidade de sentir com veridicidade.

Bianca Monsores

domingo, 8 de novembro de 2009

Felicidade em controvérsias


Felicidade à alma
Em goles, em líquido
Vazante entre dedos
Instável.

Um aperto na alma
Um desespero em calma
Talvez uma ilusão
De um futuro incerto.

Paz à alma?
Onde estais?
Pode assim se viver
Da felicidade que não tem cais?

Transbordam sorrisos
Satisfações, visões, paixões
Em busca de razão,
"é pau, é pedra, é o fim do caminho" ?

Busco em passadas distantes
Como ser possível permanecer assim,
Em felicidade, em controvérsias.

Bianca Monsores

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Diário de Mudanças


Estive pensando. Não sei o quando significa breve, mas sei que em pouco tempo estarei escrevendo cartas a alguem. Sempre gostei da idéia de ter a quem enviar cartas. Em meio a tanta tecnologia, resgatar alguns velhos hábitos seria, no mínimo, interessante. Esta, então, poderia ser uma boa notícia se não fosse pelo fato de isso significar a falta diária de uma pessoa querida. Talvez grandes mudanças nos façam perder as direções, os sentidos e até mesmo o juízo, e se assustar e se sentir perdido é normal, mas confesso que não encaro como uma renovação realizada por bons ventos, pelo menos não pela maioria dos fatos considerados, ainda mais quando, meio sem querer, você se vê preso aos velhos alicerces. Mas sempre chega o momento em que encarar novas fases na vida se torna inevitável e creio que seja assim que encontramos o verdadeiro significado da conhecida frase: "depois de toda tempestade vem sempre um dia de sol".


Bianca Monsores

domingo, 20 de setembro de 2009

Eu sou você


Como ser mais que razão, ser mais do menos sem precisar encontrar a estrada dos velhos trilhos. Como reconhecer, merecer, e sem ao menos saber o por quê, nunca esperar a moeda de troca. Como estar longe, assim, mas perto como nunca se poderia estar. É compreender sem pensar. É amar sem motivos, para amar sem intenções.


Bianca Monsores

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Tons de vermelho

A vida escolhe a vida
Talvez a permita escolher
O tempo fere a vinda
Molda tudo como não deveria ser

O céu rabisca o vermelho vitória
Já anunciando os tons da derrota
Mostra os pulsos da verdade
As vibrações da coragem
Denuncia as fraquezas de imagens notórias

O fogo escarlate traz novas de esperança
E as leva como cinzas de velhos romances
Afogando tudo que é vivo
No vermelho sangue
Da nova mesma antiga melodia de antes...

Bianca Monsores

domingo, 21 de junho de 2009

O que eu não sei sobre mim



Até o morro agora tem dono
E me priva da liberdade de ser quem eu sou
Lá fora me perco na ignorância do mundo
E na minha própria

Busco verdades
Só encontro desencontros
Busco felicidade
E ela me fere a face

O sal dos meus olhos
Não cicatrizam as feridas
Apenas salgam a vida
Sem nenhum comedimento

E no vinil que fica logo alí, na sala
Tento encontrar alguma palavra
A interpretar o que eu sinto agora
E acreditar que as diferenças
De nada mais valem nessa hora

Mas ele travou
E me repete aquilo que eu não preciso ouvir
Fiquei sem amparo
Por que parece que nada mais faz parte de mim?

Bianca Monsores

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Procura-se



O homem não gosta. Preconceito na verdade. Ele permanece na incessável busca para encontrar no outro um pedaço conhecido, a parte óbvia que retrata sua própria existência. E ele erra. Erra por não ser capaz de encontrar por si mesmo, em si mesmo. Ele ouve tudo e a todos, perde sua essência, deseja conhecer uma matriz perfeita com suas cópias fieis. Erra de novo, nada é como deveria ser. Dá passadas trôpegas, troca as pernas e vê tudo como um grande espelho, infiel. O que se vê, na realidade, não é o que se vê, mas sim o que se deseja enxergar, e o procurar nada mais é que a maneira menos dolorosa e perceptiva de reconhecer em si mesmo os erros que jamais gostaria de ter cometido.

Bianca Monsores